Briga de gigantes

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Hoje eu meço 3,5 metros. Hum… não estou sendo completamente honesta. Na verdade, estou me sentindo com 3,5km.

Ontem, depois de muito estudo e trabalho, ajuizamos a ação de indenização da Ana Paula Garcia contra os médicos que a agrediram durante o parto de sua filha. O Hospital e o Plano de Saúde também serão responsabilizados. Agora, a luta contra a violência obstétrica tem identidade para o Judiciário de Minas Gerais. É o processo 0306285-70.2013, em trâmite na 21ª Vara Cível de BH.

Para quem conhece a rotina violenta dos atendimentos ao parto parece inacreditável, mas a ação é inédita para a justiça brasileira. Estamos sendo maltratadas nos hospitais há mais de cem anos e o judiciário ainda não tomou conhecimento. Muito triste.

Ainda que o processo trate especificamente do caso da Ana, ele mostra que agora acabou a brincadeira. Passou da hora de deixar de ser normal passar por cesárea desnecessária, episiotomia de rotina, kristeller.

Ana, minha amiga, entramos nesta para ganhar. E quando ganharmos, estarão conosco todas as mini mulheres. Esta ação é sua, mas também é da Mayara, da da Bebela, da Laura, da Miyuki, da Lívia, Kyara, da Diana, da Morena, da Clara, da Sofia, da Júlia, da Raissa, da Manu, da Luiza, da Alice, da Carol…

 

 

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A outra

Eu torcia para demorar uns 45 anos para eu ser sogra, mas, conhecendo o João, suspeitava que isso aconteceria no máximo daqui há uns 10 – se muito. Ponderando o charminho que ele faz para todas as fêmeas que vê num raio de 20km e o meu desejo de não dividi-lo com ninguém, esperava que só houvesse outra mulher importante na vida dele lá pelo meio da adolescência. Tadinha de mim…

Saio de casa para trabalhar e o deixo com a outra. Ele quer ficar comigo, tenta me enrolar para eu não ir, às vezes chora – choramos ambos – mas, não está desesperado. Sabe que os dias são divertidos.

A outra é a melhor mulher que eu poderia escolher para o meu filho. Ela conhece e respeita as regras da minha casa. É suave e amorosa. Quer que ele experimente sabores novos e se entusiasma toda fez que invento uma brincadeira. Vê um dia de sol e acha que tem cara de parquinho e banho de mangueira. Vibra com as conquistas do João. Defende os interesses dele. Repara quando corta o cabelo. Não leva seus chiliques a sério. Eles descobrem coisas juntos e ela o incentiva a me contar. Fica triste, quando o encontra com um galo na cabeça na segunda-feira, pois ele caiu no fim de semana…

Sou muito grata a esta mulher.

Neste mundo maluco, no qual as pessoas se sentem à vontade para tratar como coisas as pessoas que cuidam dos seus filhos, queria agradecer publicamente à Lê, que tem o emprego que eu pedi a deus.

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Banho de balde – como, onde e por quê?

Fiz propaganda gratuita no facebook do Dadadá do ofurô de bebê da Sanremo que estava sendo vendido na Privalia por R$15,00. Quem viu se deu bem, quem não viu, melhor ainda: comprei 4, só vieram 2 e um estava quebrado. #feitadeboba

Mesmo com esta tragédia consumerista, o que salvou está fazendo barbaridades aqui em casa. João toma banho de balde desde que nasceu, mas ainda não tinha um próprio. No início era luxo da aula de ioga, que fizemos juntos desde que ele tinha 40 dias. Agora, ele está ryco e é proprietário do seu próprio recipiente, que tem usado todos os dias.

O banho de balde deixa o bebê em posição fetal, remetendo ao conforto do útero. Acalma, relaxa, alivia eventuais cólicas. É ouro puro.

Ele pode ser usado em recém-nascidos a partir de 1kg e dizem que faz milagres pelos prematuros. A limitação do espaço dá conforto aos bebês, que sofrem menos com o Reflexo de Moro.

Ainda que, no início, você possa ficar com medo de afogar o seu pequeno, esta aflição passa rapidinho, principalmente quando o banho deixa de ser uma guerra de nervos para se tornar um momento relax. A água deve ser morninha e estar na altura dos ombros. Você pode colocá-lo na banheira embrulhado em uma fraldinha, que, quando molhada, gruda no corpo dando ainda mais bem-estar.

Quem patenteou o negócio foi a holandesa Tummy Tub (me nego a dizer que ela inventou o balde!), mas aqui no Brasil a Plasutil e a Sanremo também produzem. A diferença entre os ofurôs e os baldes de limpeza é que os feitos para bebês são livres de Bisfenol (BPA-free), têm a base mais firme e as pontas arredondadas, para não arranhar os pequerruchos.
Banho de balde 001

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Gugugu-dadadá com as mãos – Ensinando linguagem dos sinais ao bebê

João, como absolutamente todos os bebês gênios que conheço (!!!), aprendeu a coreografia do pintinho amarelinho em um piscar de olhos. O mesmo aconteceu com a do jacaré, a da aranha e a do alecrim dourado. Um dia ele acordou dando tchauzinho. Outro mandando beijos. Simples assim.

Aí, de repente, me deu um estalo: se estes gestos são tão fáceis para ele, por que não ensinar algo que o ajude a se comunicar?

Tenho no celular um aplicativo chamado ASL Baby Sign and Learn, que encontrei xeretando na App Store. São bonequinhos que falam o nome das coisas em inglês e fazem os gestos correspondentes na linguagem dos sinais. É uma gracinha. Quando estamos sozinhos no carro e por alguma razão ele esgoela de forma incontrolável, uso o aplicativo para gerir a crise.

via: http://www.babysignandlearn.com/baby-sign-and-learn-asl-for-iphone-and-ipad

Então, aprendi alguns dos sinais e os mostrei para ele. Ele sabe “dizer” cama, escovar os dentes, de novo, comer, sorvete, trocar fraldas, lavar as mãos. E só não sabe mais ainda não ensinei.

Minha ideia inicial era que ele soubesse palavras e expressões que me auxiliassem a entendê-lo no dia-a-dia, como “água”,“cocô”, “xixi”. Na prática, vi que não é bem assim: alguns sinais são mais difíceis. O gesto para água, por exemplo, precisa que ele leve três dedos à boca. João ainda não tem coordenação motora para isso. Cocô e xixi não priorizei, pois, ainda que ele possa aprender os símbolos, não tem controle dos esfíncteres para avisar quando quer fazer.

Aqui em casa tem sido uma experiência divertida e bacana. Ele fica orgulhosíssimo quando consegue se fazer entender: bate palmas, faz carinhas, uma festa danada. É mais uma coisa que estamos aprendendo juntos.

Tem coisa melhor que aprender com os filhos?

Ps1: não tenho a menor dúvida que bebês não devem ficar expostos a TV, celulares e tablets. Pesquisas da Sociedade Americana de Pediatria já comprovaram que estas tecnologias prejudicam a cognição das crianças pequenas. Uso o aplicativo para eu aprender os sinais. João só é exposto a eles, por pouquíssimo tempo, para que não nos envolvamos em um acidente de carro.

Ps2: o que ele chama de “sorvete” é fruta processada no mixer, coada e congelada na forminha de picolé. Ele AMA!!!

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Saudades do filho que perdi

Em 2009 sofri um aborto. Ponto.

Escrevi PONTO para que todo mundo tenha tempo de dizer o que pensa sem que eu precise ouvir que:

  •  30% das primeiras gestações não vão para frente.
  • Todo mundo já passou por isso.
  • Foi seleção natural.
  • Sou nova.
  • Nem era um bebê ainda (!!!!)
  • Vou ter outros filhos.

Já engravidei de novo. Tenho um filho que amo mais que tudo. Isso não faz doer menos aquele que perdi.

Para mim, ainda que na barriga, os bebês têm alma. E eu lamento, imensamente, não ter podido conviver mais com aquela alminha que foi embora quando era do tamanho de uma lentilha, antes mesmo que eu pudesse ouvir seu coraçãozinho.

 
via: http://brasil.babycenter.com/l5900076/de-sementinha-a-ab%C3%B3bora-que-tamanho-tem-o-beb%C3%AA#/3

 

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Pobres mães – o amor menos correspondido do mundo

Quando João nasceu, senti pena da minha mãe.

Logo que ele saiu de mim e o peguei no colo fui envolvida numa nuvem de amor e euforia tão grande que não tinha dúvida: eu nunca havia sentido nada igual. Na verdade, nada parecido. Para ser sincera, jamais tinha experimentado coisa que ao menos chegasse aos pés do que sinto por ele.

Então, lembrei da minha mãe, que sentiu aquilo duas vezes. Que, como já deu provas, me ama loucamente em todos os momentos da minha vida – mesmo quando sou insuportável. E senti pena dela, pois o seu amor nunca foi correspondido à altura.

E senti pena de mim, porque soube, sem nem uma duvidazinha que me consolasse, que João nunca vai me amar como aos filhos que ele vier a ter.

Depois meu coração se acalmou, porque se para mim o que João me dá basta – mesmo quando é só um sorriso meio banguelo – para minha mãe deve bastar também.

Mulheres, sejam mães.

Este post é para as queridas Sarah e Carol, para aumentar as caraminholas nas suas cabeças…

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Neuroses absurdas e tatuagem de segurança

Ontem, depois de exatos um ano e um mês, fui ao cinema. Tinha ido dois dias antes de o João nascer, assistir Um Dia, com a Anne Hathaway – ele dava cada salto na minha barriga que achei que ia sair pelo umbigo, ali mesmo – e voltei ontem para ver O Impossível, com Ewan McGregor e Naomi Watts.

O filme é inspirado na história real de uma família que se separa durante o tsunami da Tailândia, em 2004. É tenso, tenso, tenso. E eu, que já tinha pânico de criança perdida desde que meu irmão sumiu na C&A, na década de 80 – #quem nunca? – me vi cheia de pesadelos.

João é super mochilinha. Já foi ao show do Danilo Caymmi, da Maria Rita, do Hildebrando Pascal, várias vezes à Filarmônica. Nunca tive medo de multidão, mas tinha a vantagem de ele só ficar no colo. Agora que anda de um lado para o outro e é o bebê mais “dado” do mundo, fica perigoso. Para falar a verdade, saí ontem do filme com vontade de implantar um chip localizador nele (se alguém souber quem coloca, me avisa! dane-se-a-ética-tô-nem-aí-faço-qualquer-coisa-para-não-perder-meu-bebê).

Quando Bebela, minha afilhada de 4 anos, nos acompanhou a um show ao ar livre, escrevi nas costas dela, com canetinha, seu nome completo e os telefones de contato. Atende ao objetivo, mas é uma marmota. Uma solução menos avacalhada são as tatuagens de segurança.

Achei no site gringo Safety Tat. São tipo aquelas que vinham no chiclete, vc aplica com água e ela sai em uns 3 dias. Há diversos modelos, tanto para crianças perdidas quanto para aquelas que têm alguma condição especial, como autismo ou diabetes. Você escolhe a imagem e coloca o contato. Acredito que as crianças maiores devem amar.

SafetyTat 2 SafetyTat 3

Outra possibilidade bacana é fazer, você mesma, a tatoo. A Estefi Machado, que tem um dos blogs mais bacanas do pedaço (só coloco vocês na boa), ensina como fazer aqui.

Beijos e prende-o-menino-na-coleira! rsrsrsrsr

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