A outra

Eu torcia para demorar uns 45 anos para eu ser sogra, mas, conhecendo o João, suspeitava que isso aconteceria no máximo daqui há uns 10 – se muito. Ponderando o charminho que ele faz para todas as fêmeas que vê num raio de 20km e o meu desejo de não dividi-lo com ninguém, esperava que só houvesse outra mulher importante na vida dele lá pelo meio da adolescência. Tadinha de mim…

Saio de casa para trabalhar e o deixo com a outra. Ele quer ficar comigo, tenta me enrolar para eu não ir, às vezes chora – choramos ambos – mas, não está desesperado. Sabe que os dias são divertidos.

A outra é a melhor mulher que eu poderia escolher para o meu filho. Ela conhece e respeita as regras da minha casa. É suave e amorosa. Quer que ele experimente sabores novos e se entusiasma toda fez que invento uma brincadeira. Vê um dia de sol e acha que tem cara de parquinho e banho de mangueira. Vibra com as conquistas do João. Defende os interesses dele. Repara quando corta o cabelo. Não leva seus chiliques a sério. Eles descobrem coisas juntos e ela o incentiva a me contar. Fica triste, quando o encontra com um galo na cabeça na segunda-feira, pois ele caiu no fim de semana…

Sou muito grata a esta mulher.

Neste mundo maluco, no qual as pessoas se sentem à vontade para tratar como coisas as pessoas que cuidam dos seus filhos, queria agradecer publicamente à Lê, que tem o emprego que eu pedi a deus.

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10 respostas a A outra

  1. anapaulagarciadasilva diz:

    que delícia de experiência de vida!

  2. Gabi…Adoro o modo como escreve, já li vários posts, mas por não ter filhos e ser muito nova (tenho 22) nunca comentei, medo de estar falando alguma bobagem, mas depois de ler a matéria do link do seu post fiquei em estado de choque, fiquei me sentindo extremamente mal.Como assim comer em um restaurante e a babá em outro???!!!Não gosta que a babá fique olhando para ele?!Meu Deus estou realmente muito muito triste de ler esse tipo de coisa, fiquei cheia de esperanças que a qualquer momento a autora diria que era brincadeira, infelizmente ela não disse :/…Faço pedagogia e Amoooo tudo relacionado a crianças e a maternidade, que bom que você gosta e respeita a babá do seu filho, não a trata como um animal de estimação, que você continue sempre assim…Desculpa o comentário gigantesco…rsrrs…Bjaum

  3. Mayara, eu também, no início, achei que era brincadeira. Coisa triste demais, né!
    Que bom que está gostando do blog!!! Faço com o maior carinho!!! Como chegou até aqui?

  4. Daniele diz:

    Que gracinha Gabi!
    Não tenho filhos, porém, imagino a sensação de conforto e confiança que essa pessoa te proporciona…
    Beijos

  5. jennifer diz:

    nossa não quero nem pensar em deixar minha bb com alguem mas graças a Deus tenho minha mae e irma para cuidar dela caso precise.
    Ainda bem que vc tem alguem assim pois com as noticias que a gente ve por ai.
    isso mesmo ja fui baba e ser respeitada e reconhecida é ,muito bom parabens

    • Jennifer, a opção de deixar nossos pequerruchos com outras pessoas não é fácil! Eu passo dias bons e dias ruins com a minha decisão. Independente disso, gratidão e respeito pela pessoa que cuida do meu filho são essenciais, né? Não devia ser mérito!

  6. Mariana diz:

    Ei Gabi, ontem assisti ao filme Histórias Cruzadas, e não sabia que ia ver algo TÃO parecido em pleno século XXI.. Muito triste ver os argumentos, a postura e a diferença edessas mães com aquelas pessoas que irão cuidar dos seus filhos!
    Mas o lado positivo é você ter uma pessoa de confiança e que ame o seu filho, isso serve um pouco de consolo pelo tempo que ficam longe🙂
    Isso eu considero uma demonstração de força e garra das mamães, eu não consegui e levo ele comigo, mas tiro o chapéu para todas as mães que precisam ficar longe das crias para trabalharem.. são verdadeiras guerreiras

    • Deixar o bebê em casa é matar um leão por dia, Mari… Dói demais o coração! Eu ainda nem abordei isso aqui no blog, pois não é algo que está bem resolvido para mim… Quem sabe um dia, né?
      Bjs!

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