Briga de gigantes

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Hoje eu meço 3,5 metros. Hum… não estou sendo completamente honesta. Na verdade, estou me sentindo com 3,5km.

Ontem, depois de muito estudo e trabalho, ajuizamos a ação de indenização da Ana Paula Garcia contra os médicos que a agrediram durante o parto de sua filha. O Hospital e o Plano de Saúde também serão responsabilizados. Agora, a luta contra a violência obstétrica tem identidade para o Judiciário de Minas Gerais. É o processo 0306285-70.2013, em trâmite na 21ª Vara Cível de BH.

Para quem conhece a rotina violenta dos atendimentos ao parto parece inacreditável, mas a ação é inédita para a justiça brasileira. Estamos sendo maltratadas nos hospitais há mais de cem anos e o judiciário ainda não tomou conhecimento. Muito triste.

Ainda que o processo trate especificamente do caso da Ana, ele mostra que agora acabou a brincadeira. Passou da hora de deixar de ser normal passar por cesárea desnecessária, episiotomia de rotina, kristeller.

Ana, minha amiga, entramos nesta para ganhar. E quando ganharmos, estarão conosco todas as mini mulheres. Esta ação é sua, mas também é da Mayara, da da Bebela, da Laura, da Miyuki, da Lívia, Kyara, da Diana, da Morena, da Clara, da Sofia, da Júlia, da Raissa, da Manu, da Luiza, da Alice, da Carol…

 

 

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49 respostas a Briga de gigantes

  1. Mariza de Paula diz:

    Sim Gabi ! Estamos juntas nessa luta ! Feliz demais com essa notícia !
    Estou aqui com lágrimas nos olhos me lembrando da Ana Paula quando nos conhecemos, grávidas, cheias de alegria e de esperança, participando de um encontro do Ishtar BH e também de quando fui atendida, desrespeitada e violentada nesse mesmo hospital quando do nascimento de meu segundo filho em 2007, quem sabe até mesmo com a mesma equipe…
    Abraços de esperança pra você e Ana Paula !

  2. Polly diz:

    Puxa Gabi!!! Chorei!! É isso mesmo, é para que nossas pequenas mulheres de hoje consigam ser respeitadas como as grandes mulheres que serão amanhã! Bjos querida!!!

  3. Qual hospital de BH? Obrigada

  4. Arrepiei!!!!! É isso mesmo! Somos gigantes e vamos ser ouvidas, porque não nos calaremos mais diante desta atrocidade contra as mulheres! Parabéns pela dedicação. Um salve grande para Ana Paula Garcia, que não desistiu de levar isso em frente, por mais dolorido que fosse. Se todas as mulheres violentadas durante o parto colocarem a boca no trombone, acabaremos com isso. Tenho fé e esperança!

  5. Toda a minha admiração a vocês! Falei pra Ana Paula na semana passada: isso será um marco.
    Passo firme, braço forte!
    Sempre em frente!
    Porque é só notícia boa que virá!
    Parabéns, mulheres fortes. Vocês vão ajudar a mudar o rumo da história!

    • Tem que mudar, Lígia! Já está mudando! Independente de haver condenação ou não, a existência do processo já mostra que há outro paradigma! Temos visto o incômodo que causamos aos médicos com os quais conversamos, o presidente do CRMMG, da Sociedade de ginecologia… Já não dá para fingir que violência obstétrica não existe!

  6. Priscilla diz:

    Eu quero mover uma ação contra a maternidade que desrespeitou a lei do acompanhante, é possível? Eu procuro um advogado primeiro?

  7. Luciana diz:

    Cara, de arrepiar! Apesar do pouco contato, tenho muito orgulho pela força da Ana, por nao desistir de lutar e ir atras dos direitos, ir atrás de justiça! Quem dera todas nos, mulheres que ja sofreram ou ainda sofrerão alguma violência tivesse a mesma garra e força de vontade! E como já foi dito, um passo enorme pra que nossas pequenas tenham não só orgulho, mas a certeza de que não irão passar por isso. E quando chegar lá, olharemos pra tras e teremos orgulho de tudo que está sendo feito, ainda mais de fazer parte desse momento, mesmo que muitas vezes timidamente.

  8. Priscila Freixinho diz:

    Emocionante! Estamos acompanhando!
    É importante que a violência obstétrica tenha nome, cara, número! As pessoas ficam espantadas, não acreditam, não vêem o que acontece debaixo da sua própria barriga!

  9. Olá Gabi, Parabéns mega pela iniciativa!!! Que seja o primeiro de muuuuuitos! Um verdadeiro ‘call for action’! Como você sou advogada, hippie demais para o direito e engomadinha demais para as letras,tendo também encontrado na maternagem um lugar no qual me encaixo perfeitamente. Virei cyberativista por acreditar que a violência no parto é uma das mais cruéis e invisíveis e, como tal, precisa vir à tona e ser combatida. Ela rouba das mulheres uma experiência fantástica e realizadora. Indo um pouco mais além, tenho pesquisado a representação da mulher nas ações judicias americanas interpostas contra grávidas devido à escolha do local e modo do parto, portanto tenho estudado bastante aspectos jurídicos. Tudo isso para dizer que se o grupo precisar de ajuda neste ou em qualquer outro processo, saiba que pode contar comigo para pesquisa jurídica ou qualquer outra. um beijo no coração! Luciana

  10. Meninas, força pra vocês!!!! Muito, muito obrigada, porque essa é uma luta por todas nós, que pariremos um dia.
    Não vai ser uma luta fácil, porque a classe médica é muito corporativista.
    Mas se eles são muitos, e são unidos. Nós somos muitas mais e somos IMBATÍVEIS!!
    Força!!!!

  11. Ana e Gabi, obrigado por nos representar tão bem, obrigado por ser a porta voz de tantas mulheres no Brasil, que essa iniciativa possa mudar a forma de nascer dos nossos netos, dos filhos do Joao, Elias, Maria Carol, Samuel, Teodoro, Rannah…

  12. Maria diz:

    Que maravilha! Me sinto vitoriosa junto com vcs! Saber que tantas outras acham a forma como as coisas vem sendo conduzidas uma violência sem tamanho, é um alívio tão grande!!!! Ainda não tenho filhos, mas venho me preparando para isso e ao olhar as minha amigas e colegas sendo levadas de maneira tão fácil pelas lorotas contadas, e eu sendo a implicante, me assusta muito! Nos ultimos 5 anos 5 das minhas 6 amigas gravidas fizeram uma “desnecesárea”….

  13. Elaine Müller diz:

    Divulgando aqui em Pernambuco. Para a “moda” de se revoltar contra a violência obstétrica pegar de uma vez por todas.

  14. Ana Carolina Linares diz:

    Olá, estou pra ter neném a qualquer momento e fiquei curiosa pra saber principalmente sobre qual hospital estão falando. Estou na expectativa de um parto normal e não gostaria de jeito nenhum de ser obrigada a passar por uma cesárea desnecessária…

    • Ana, vou te responder por e-mail, mas em qualquer maternidade particular a chance de cesárea é de mais de 80%… Em que cidade vc está? Procure um grupo de apoio, inscreva-se em listas de discussão (eu participo da partoativobh, no yahoo, mas há várias outras…). De quantas semanas vc está? Em que lugar do país?

  15. Jerusa diz:

    Que belezura!! Feliz por enfim a justiça ouvir e quem sabe dai pra frente a lentos passos, sim, mas em frente sempre.. consigamos ser ouvidas e a partir dai respeitadas.. Eu infelizmente ainda estou a procura disso… na 30 ° semana de gestação, fugindo de médicos cesaristas, e achando um absurdo pagar impostos, e plano de saude para não ter direito a um médico que faça meu parto com respeito.. No primeiro parto ( como narrei la no video violencia obstetrica) tudo pelo SUS e 9 anos atras, achei que era um caso raro, a parte.. mas hoje percebo que raros são os partos respeitosos e NORMAIS….

    • Jerusa, me emocionei com o seu depoimento. Honra receber sua visita aqui. Em que lugar do país vc está? Nos grupos de apoio não conseguiu uma boa indicação de equipe na sua cidade? Em BH o atendimento mais respeitos é no SUS, no Sofia Feldman!

  16. anapaulagarciadasilva diz:

    Quando eu li a palavra ‘GIGANTE’, meus pensamentos me remeteram à algo estarrecedor!
    Gigante é meu amor que eu sinto dentro do meu peito!
    Gigante é a minha esperança por ainda ver justiça nesse mundo louco!
    Gigante é a minha vontade de enxergar que ainda há bondade, que ainda vale a pena!
    Gigante é a minha incompreensão por tudo isso, que é realidade já tantas décadas, para inúmeras famílias… Porquê? Para quê?
    Gigante é minha florzinha, Mariana! Pois ela foi valente, ela lutou bravamente! Só para mostrar para a mãe dela que lutar é preciso. Ter coragem é fundamental!
    Como eu nunca duvidei de que tudo tem um propósito, entendi a missão.
    E eu pedi paz e me apossei dela.

    “Pois paz sem voz, paz sem voz
    Não é paz, é medo!”

    • Ah, Ana… Eu me constranjo cada vez que ouço um parabéns, pois sei que sou só um veículo nesta sua luta, minha amiga. A superação, a abdicação, a coragem são todas suas… Não acho que vc tenha ideia do bem que está fazendo a todas as mulheres deste país… Obrigada, obrigada, obrigada!

  17. Katia, da Maria Carol e da sementinha diz:

    dizer o quê, né?! Admiro por quê amo ou amo porque admiro…

  18. Inessa diz:

    Estou emocionadíssima também! E muito orgulhosa por conhecer mulheres como vocês! Obrigada Ana e Gabi! Vamos em frente para mudar a realidade obstétrica para melhor! Pelas mulheres e pelos nossos filhos!

  19. Malisa diz:

    ORGULHO, ORGULHO, ORGULHO!!!!

  20. Poxa, parabéns Gabi! Rolou um orgulhinho por aqui também, mesmo que só te conheça virtualmente (por enquanto!)🙂

    Bjão

    • É assim mesmo, rsrsrrs!!! Também me sinto íntima, Mi! Vamos criando identidade, acompanhando os filhos crescendo, a vida da outra, mesmo sem nunca termos nos visto… quando assustamos, somos BFF! rsrsrsrsr

      • Só uma dúvida e perdoe a minha ignorância (juro que pesquisei no Google antes de perguntar, mas não achei nada com significado, nesse caso, haha). O que é kristeller???

      • Kristeller é a manobra de emburrar a barriga, supostamente para ajudar o bebê a nascer. As evidências científicas condenam a prática, que quebra costelas, rompe úteros, causa pesadelos e não tem eficácia nenhuma!

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