Pobres mães – o amor menos correspondido do mundo

Quando João nasceu, senti pena da minha mãe.

Logo que ele saiu de mim e o peguei no colo fui envolvida numa nuvem de amor e euforia tão grande que não tinha dúvida: eu nunca havia sentido nada igual. Na verdade, nada parecido. Para ser sincera, jamais tinha experimentado coisa que ao menos chegasse aos pés do que sinto por ele.

Então, lembrei da minha mãe, que sentiu aquilo duas vezes. Que, como já deu provas, me ama loucamente em todos os momentos da minha vida – mesmo quando sou insuportável. E senti pena dela, pois o seu amor nunca foi correspondido à altura.

E senti pena de mim, porque soube, sem nem uma duvidazinha que me consolasse, que João nunca vai me amar como aos filhos que ele vier a ter.

Depois meu coração se acalmou, porque se para mim o que João me dá basta – mesmo quando é só um sorriso meio banguelo – para minha mãe deve bastar também.

Mulheres, sejam mães.

Este post é para as queridas Sarah e Carol, para aumentar as caraminholas nas suas cabeças…

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17 respostas a Pobres mães – o amor menos correspondido do mundo

  1. Cristhine diz:

    Espero ser um pouco e fazer diferente da minha Mae para realmente ter o amor que espero de volta. Mesmo que não seja na mesma proporção. No caso a medida não importa, sempre farei algo para que ele queira estar comigo e evitar as coisas “de mãe” que nos afasta. Difícil tarefa.

    • É mesmo um grande desafio, Cris. Amor – como tudo na vida – tudo na vida – também é aprendido, né! Acho que o melhor jeito de ensinar é amando…
      Bjs enormes!

  2. Carol Dória diz:

    Gabi,

    amei o post (e cada postagem mexe um pouquinho comigo :-)) e posso imaginar o quanto deve ser bom ser mãe, mas ontem depois do filme O Impossível acabei de crer que nesta vida não tenho estrutura para ser mãe e sim evangelizadora, tia, tia emprestada e que posso dar muito amor e carinho a cada pequeno que passa na minha vida e continuar a admirar mães como você…. Beijos e muitos beijos no João ♥

  3. Sarah diz:

    Sua gravidez mexeu comigo no momento em que estava passando da fase “totalmente desacreditada da instituição família” para a fase “o que a nossa avó fez não me permite descrer”. Junto a ausência da mulher mais forte que já conhecemos, conheci a mãe que vi pequena, que cresci do lado. Não há como não se apaixonar pelo bebê, pela mãe, pela relação e pela maternidade.

    O que resta é saber se terei o dom da nossa família, como você tem. Enquanto isso, aproveito o João. =]

  4. Nivea Sorensen diz:

    Gabi,
    Sabe que eu tinha um post rascunho escrito sobre isso? Você descreveu tão bem que eu vou aposentar o meu antes de publicá-lo.
    Um beijo

    • Bem feito, Nívea!!! É o troco por eu ter passado a manhã toda escrevendo sobre a louca da babá e ter que jogar o post fora depois de ler o seu!!!! Revidei! rsrsrsrrs

  5. Mariana diz:

    Acabou de ganhar o título de post predileto, rsrs, por retratar algo que nós mães sentimos diariamente, de maneira simples, direta e muito sincera🙂
    Ps impressionante como o amor que sentimos por eles se multiplica, se renova diariamente.. Realmente não pedimos nada a eles, pelo contrário, agradecemos por nos darem a oportunidade de sermos (tentarmos !) pessoas melhores..

  6. Alexandre Pimenta da Rocha diz:

    Lendo seu post lembrei de como fiquei feliz quando o João sorriu e me pediu para pega-lo em meus braços. Pouco tempo depois, num dia em que ficamos só os 2 a noite, ele dormiu enquanto eu falava com ele o que faremos juntos no futuro, que ele poderá contar comigo quando o “bicho pegar” e outras confidencias. Basta só um olhar, só um sorriso…

  7. Carolina Elian diz:

    Gabi, que coisa mais linda…Fiquei aqui toda mexida imaginando a doce Catarina ou o agitado Miguel nos meus braços. Continuo sem certezas…bom sinal pois, enquanto houver dúvidas, há a possibilidade, não é mesmo? O texto mexeu muito comigo. Não só em relação à questão de (não)ser mãe. Me fez pensar na minha mãe, na relação dela com todas nós, na Malu…que loucura! Muito obrigada por se lembrar de mim e, principalmente, por compartilhar um sentimento tão maravilhoso! Estou com saudades do Bolota!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Traz ele aqui!

  8. nossa eu juro que nunca li palavras tão verdadeiras quanto essas suas a respeito do que a mãe sente, e essa clareza que você expressou sobre o amor da sua mãe – uma das primeiras coisas que pensei assim que minha filha nasceu, enfim, nem dá pra dizer,bonito demais isso que você disse!

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