Au Nain Bleu- Brinquedos lindos de morrer em Paris

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Sabe aqueles filmes do Tim Burton, com mil cores, movimentos e lindezas? Pois é, a Au Nain Bleu é como uma Fantástica Fábrica de Chocolate, só que de brinquedos. É coisa linda para enlouquecer qualquer cristão, budista ou ateu.

Fiquei hospedada pertinho dela na última vez que estive em Paris e todas as vezes que eu passava na porta tinha que me segurar para não entrar. Parecia que tinha um imã!!!

A loja existe desde 1836 (!) e fabrica brinquedos eternos, destes que vão ser usados pelos nossos filhos, netos e bisnetos. Fantoches, carrinhos de madeira pintados a mão, caixinhas de música, instrumentos musicais, jogos educativos… Tudo de babar. E, o mais importante: com o compromisso de deixar a cabeça das crianças funcionar.

João ganhou um carrinho de bombeiro e um jogo de blocos. Mal posso esperar para dar a ele o Forte Apache e as pernas de pau (#serealizanofilho).


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Dá para enlouquecer ou não dá?

 

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Relato de Parto do João – a aventura de nós dois

Continuando a nossa macro-série sobre parto (!!!), resolvi postar o relato que escrevi três meses depois que o João nasceu. Fui uma grávida obcecada por relatos (alguémreparou?). Li 5.000.000 de vezes os da Mari, o da Lia, da Anne, o da Flávia, o da Priscilla e dezenas de outros. Umas mais índias (ah!), outras mais nem-aí, cesáreas, partos domiciliares, histórias felizes e outras pedindo recall. Li, mastiguei, engoli tudo. E ruminei o parto do João.

Está aí, a minha colaboração para a obsessão de vocês. Não tem muitas informações precisas, por duas razões: 1) não sou muito precisa, 2) estava tão embasbacada pelo filhote que o relato não poderia ter outro formato: é uma carta de amor.

‘Bora ler?

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“A voz do anjo

sussurrou no meu ouvido

eu não duvido

já escuto teus sinais

que tu virias numa manhã de domingo

eu te anuncio

nos sinos das catedrais

Tu vens, tu vens,

Eu já escuto teus sinais…”

Filho, hoje faz três meses que vc chegou. É um domingo, como aquele. Ainda que o dia tenha amanhecido lindo, está chovendo agora, como no dia que vc nasceu. Tudo conspirando para que eu, finalmente, registre o começo da nossa história, para não esquecer nenhum detalhe quando for te contá-la, daqui há uns anos…

O seu parto começou quatro meses antes de você nascer, quando conheci o Isthar. Até aquele momento, eu não pensava em como você viria ao mundo. Tive muitos problemas no início da gravidez e, até pouco antes daquela reunião, estava concentrada em te manter dentro de mim, vivo. Tinha acabado de conquistar uma gravidez saudável. Ao ouvir as histórias daquelas mulheres, ver seus olhos brilhando ao falar de dor e prazer e, mais que tudo, ao presenciar sua ligação com seus filhos, não tive dúvidas que seu parto seria nossa primeira aventura juntos.

Fiquei viciada nas reuniões. Esperava o mês todo pelos encontros do Isthar. Aprendia a cada relato: Carlaila, Pat, Clara, Jane, Rafa, Laura, Paula, Inessa e tantas outras. Chorei com a Polly, quando discutíamos o tratamento que recebiam os recém nascidos nos hospitais. Percebia o carinho da Helena, que se sentava ao meu lado nas reuniões, para explicar, baixinho, coisas tão básicas, das quais eu nunca tinha ouvido falar: episiotomia, ocitocina, kristeller. Fui aprendendo e construindo dentro de mim o início da história de nós dois.

Quando a gravidez foi chegando ao fim, comecei a sentir nostalgia. Estávamos tão conectados! Sentia que precisava de mais tempo, para te dividir com todo mundo. Deve ser por isso, filho, que vc só começou a dar sinais da sua vinda quando minha gestação já tinha mais de 40 semanas…

No dia 10 acordei à 01:00 hora, sentindo dor. Não tinha mais dúvidas; eu estava pronta, você estava pronto. Pensei, com orgulho, em como estávamos conectados: sempre quis que vc nascesse num fim de semana.

Há algumas noites seu pai já acordava com os meus desconfortos noturnos. Eu não conseguia dormir, e, rolando na cama, acabava despertando-o. Normalmente, o chuveiro me aliviava. Naquela noite, não funcionou. Estava chovendo há muitos dias. O aquecimento solar não esquentara a água o suficiente e eu me vi chorando de frio.

Seu pai sugeriu que eu fosse para a banheira. Ele subia e descia com as panelas, cheias de água quente e amor. As contrações estavam fortes, eu tentava medir sua frequência e intensidade, sem sucesso.

Quando começou a amanhecer, pedi ao seu pai que ligasse para o Dr. Geraldo, para a Karine e a Helena. Tinha a sensação que não aguentava mais. Quando ele disse que mandaria uma mensagem, fiquei uma fera. Queria todos comigo, já! Nascia a onça que ia te parir…

Sua tia Kaká foi a primeira a chegar. Eram seis da manhã, eu tinha 4 cm de dilatação. Pouco depois veio a Helena. A presença delas foi suficiente para renovar minha energia e me fazer recordar: bebês nascem todos os dias, nós éramos fortes e daríamos conta, eu tinha sido feita para isso, milhares de mulheres já haviam passado pelo que eu estava sentindo e ainda passariam. Quando Dr. Geraldo chegou, ficou claramente fascinado por aquele clã de mulheres.

Deste dia, tenho na memória apenas flashs, meu amor: lembro de Helena entrando no chuveiro, de roupa e tudo, para me fazer massagens, quando eu achava que nada mais me consolaria. Da minha felicidade, ao ver que estava perdendo o tampão, ensanguentado e gelatinoso. Lembro dos olhos da sua Tia Karine, azuis, brilhando, quando ouvia seu coração. Da árvore de Natal, linda, linda, piscando o dia todo. Lembro do seu pai, comendo bolo de chocolate e gargalhando. Sinto o cheiro do óleo de castanhas e gosto de maracujá.

Passamos o dia todo neste ambiente de família. Eu sentia dor, estava cansada, vomitava muito, mas estava feliz, recebia muito carinho. Às 13:00 horas, tinha 6 cm de dilatação. As contrações deram um descanso e consegui dormir, enquanto todos comiam pizza e riam.

Às 18:00 horas resolvemos fazer um outro toque. O plantão da Adrinês na Casa de Parto terminaria às 19:00 horas e ela estava nos esperando. 7 cm!!! Apenas 1 cm em cinco horas…

Durante o toque, a bolsa se rompeu. Era diferente do que eu imaginava, mais sangue que água. Não senti nenhuma dor especial, mas, a partir daí, as contrações se tornaram muito mais fortes. Pegamos as malas para ir para o Sofia. Na porta, Alexandre me perguntou: “Tem certeza que quer ir, meu amor? As coisas estão indo tão bem aqui…” (!!!!!!)

O trajeto de carro foi uma verdadeira tortura. Cada brita no asfalto parecia uma facada. O Sofia nunca foi tão longe. Eu estava indo lá, semanalmente, desde a 37ª semana de gestação, para escalda-pés e massagens. Sempre era um passeio. Em trabalho de parto, parecia uma via crucis!

Chegamos e o quarto Leila Diniz estava nos esperando, com aquela luz azul que eu tinha visto no vídeo do parto da Paula A banheira estava vazia e as contrações estavam punk, por isso, resolvi ir para o chuveiro. A água estava gelada!!! Eu me contraía de frio e a dor aumentava. As meninas se empenhavam em encher logo a banheira, mas a água estava sendo esquentada em um ebulidor, jarra por jarra!

A banheira não me consolava. Comecei a pedir pela anestesia. Fizemos outro toque: 9 cm de dilatação! Alexandre tentou ponderar comigo, como eu tinha pedido no Plano de Parto, “estava tão perto, eu já tinha ido até ali”. Acabou ganhando um palavrão. Eu alternava entre o choro e os xingos. Em um determinado momento, exigi a anestesia.

As meninas pediram à anestesista que fosse ao quarto me atender. Ela não aceitou, mas deixou que eu retornasse à Casa de Parto depois do procedimento. Sua avó Gina e sua dindinha Riri estavam na Casa de Parto, há horas, mas sequer tinham me visto. Quando seu pai me disse que elas tinham chegado, eu enfurecida, disse que não queria ninguém lá (“o que vieram fazer aqui *%$#@?”). Com a anestesia, retomei a sociabilidade. Jantei com elas, caminhamos, fizemos ginástica, rimos. Eu tinha medo que o relaxamento fizesse trabalho de parto parar, então, me empenhei em estar o mais ativa possível.

Por volta das 22:30 hs, voltei a sentir o corpo contraindo, mas sem dor. Sua tia fez outro toque e viu que eu tinha 10 cm de dilatação. Voltei para a banheira, para te fazer nascer!

Com a anestesia, o pouquinho de consciência corporal que eu tenho se esvaiu, por isso, precisei de ajuda para saber quando tinha que fazer força. Tia Kaká mantinha a mão na minha barriga e me avisava quando a contração estava vindo. O resto era comigo. Esta é a única sensação que lamento ter perdido no seu parto: sempre quis sentir os puxos, saber como a natureza faz para ensinar as mães a tirarem os bebês das barrigas.

Quando vc coroou, achei que nunca tinha sido anestesiada. A dor era alucinante, parecia que havia um maçarico apontado para mim. Chorei, gritei, xinguei. Não suportava que ninguém me tocasse. A pobrezinha da Helena, que me sustentava de cócoras, levou um milhão de cabeçadas. Eu, totalmente maluca, dizia para que não me encostasse – como ela me seguraria sem encostar, só deus sabe! Tia Kaká tentou amparar meu períneo e levou um grande tapa – que, segundo ela, também atingiu a sua cabeça. Meu amor, eu não disse que seria uma aventura para nós dois?? 😉

Segundo o seu pai, entre o momento que a sua cabeça apontou e a hora que você nasceu se passaram 40 minutos. Para mim, pareceu durar para sempre e só um segundo. Perguntaram se eu queria te ver com um espelhinho e eu não quis. Se queria tocar o seu cabelo, e eu neguei. Só queria que acabasse logo.

Filho, nada na minha vida foi mais emocionante do que vc saindo de mim. Sua tia só te amparou e me entregou. A dor acabou imediatamente. Acabou cansaço, fome, irritação, agressividade, enjôo. Senti uma euforia, uma felicidade mágica que não consigo explicar. Todo mundo sumiu. Éramos só nós dois. Seu pai, Helena, Tia Kaká, Adrinês…todo mundo ficou embaçado. Senti o seu cheiro, que era o melhor do mundo e até hoje enche a minha boca d’água. Devia ter te lambido. Não faz mal: tenho a vida toda para te lamber…

Obrigada, João, por ter me escolhido para ser sua mãe.

Obrigada Alexandre, que divide comigo o que tenho de melhor.

Karine, por ter voltado para minha vida de um jeito tão especial.

Helena, por ser só amor.

Polly, por ter inventado o parto na minha cabeça.

Adrinês, por ter dado tanto de si a uma desconhecida.

Obrigada a cada mulher do Isthar e da Parto Ativo BH, que dividiu seus desejos, suas expectativas, vitórias e frustrações. A mãe que sou foi um pouco parida por vcs.

Todo amor do mundo,

Gabi

11/03/2012

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Meu Plano para o Parto do João

 Meninas, conforme prometido, segue o Plano de Parto que elaborei para a chegada do João. Antes de qualquer coisa, preciso dizer que, quando recebi o modelo, não tinha a menor ideia do que era enema, casa de parto, ocitocina, tricotomia, episiotomia. Para falar a verdade, demorei umas 2 semanas para aprender a falar episiotomia sem gaguejar. O que quero dizer é: não entrem em pânico, dá tempo de aprender 😉

 O modelo foi bacana porque era bem abrangente e permitiu que eu pudesse estudar sobre tuuuuudo e decidir o que era ou não relevante para mim. Eu o alterei umas 5.600 vezes, seja porque fiquei mais sabida, seja porque simplesmente mudei de ideia. Mesmo assim, como vocês verão, muita coisa mudou na hora do “vamos-ver”. Estou postando uma versão editada, que compara o que eu queria com o que de fato aconteceu (o que está entre parênteses escrevi depois).

Espero que sirva de inspiração. Foi uma história de final feliz, da qual tenho muito orgulho e o maior carinho. É o que desejo para cada uma de vocês…

Qualquer dúvida, mandem-me no e-mail ou nos comentários!!!

Bjs, bjs!


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PLANO DE PARTO – GABRIELLA SALLIT

 Bebê: João Sallit Pimenta da Rocha

Marido: Alexandre Pimenta da Rocha

Obstetra: Dr. Geraldo Diniz     (Só visitou)

Enfermeira Obstetra: Karine Brugger         (Auxiliada por Adrinês Cançado)

Doula: Pollyana do Amaral Ferreira  (Substituída por Helena Villas-Boas)

Data provável do parto (DPP): 03/12/11   (Data do parto: 11/12/11 #datalinda)

Premissas:

– Entendo o parto como um processo fisiológico, que deve apenas ser assistido pelos profissionais de saúde, caso não haja nenhuma complicação; (Foi exatamente o que aconteceu. Só tive intervenção médica quando pedi anestesia e quando tive que fazer uma curetagem para retirar a placenta (tive acretismo placentário) e, depois, para conter uma hemorragia.)

– O parto normal é importantíssimo para mim, por isso, estou me preparando com estudo e exercícios físicos. Pretendo esperar por ele até 42 semanas, caso não aja indicação médica contrária; (Pela DPP, o João nasceu com 40 semanas e 6 dias.)

– Suporto melhor a dor quando estou sozinha. Quero apoio e segurança, mas, se não quiser companhia ou conversa, gostaria que ninguém as forçasse, ou interpretasse como rejeição. (Fiquei super carente, só aguentei o trabalho de parto (TP) porque tive a companhia e o carinho da Enfermeira Obstetra e da Doula.)

– A partir da 38ª semana, adotarei condutas não farmacológicas de estímulo ao trabalho de parto (acupuntura, reflexologia, chás etc) (Fui ao Hospital Sofia Feldman receber escalda-pés e ventosas, tomei homeopatia e chás, fiz drenagem linfática e exercícios – mas demorei a querer que o João nascesse.)

– Prefiro uma laceração de 1º grau a uma episiotomia, e prefiro um fórceps ou vácuo a uma cesárea; (Só tive uma pequena laceração nos lábios vaginais, nada no períneo)

– Em caso de necessidade de indução do parto, quero a Doula comigo; (Não precisei)

– Se a posição da criança ou da placenta for desfavorável ao parto normal quero aguardar pelo trabalho de parto ou, na impossibilidade, pelo menos os pródromos.( Não se aplica. O João estava cefálico desde a 32ª semana. O acretismo placentário não é detectável no exame clínico nem no ultrassom e não é impedimento para parto normal.)

Trabalho de parto:

– Assim que eu entrar na fase latente, a EO tentará reservar o quarto da banheira na Casa de Parto; (Foi exatamente o que ocorreu. A EO ligou e o quarto estava nos esperando. Da próxima vez, vou pedir que me esperem com a banheira cheia (!!! #vemsegundinho))

– Quero ficar em casa até a fase ativa, caso não aja indicação inversa da Enfermeira Obstetra;( Fiquei em casa até 7 centímetros de dilatação, acompanhando os batimentos cardíacos do João, tudo com a maior segurança. Não sei se estava na fase ativa, pois não medimos as contrações.)

– A não ser que eu solicite companhia, prefiro ficar sozinha; (Quis companhia o tempo todo!)

– Se a bolsa romper antes das contrações, avisarei a equipe (EO e Doula) para acompanhamento; (A bolsa rompeu durante um toque, quando já estava com 7 cm de dilatação, por volta das 18:00 horas. As meninas estavam na minha casa desde as 06:00 horas.)

– Decidirei na hora quando quero avisar minha família. Não quero causar ansiedade caso tenha um trabalho de parto longo, mas também não quero excluí-los do processo. (Minha mãe e uma prima foram visitar quando cheguei à Casa de Parto (sem a minha autorização – hum!). Minha sogra e minha cunhada chegaram logo depois do João.)

– Quero o celular do Alexandre desligado (silencioso não vale. Desligado mesmo, sem negociação) e o das meninas, se possível, no silencioso; (Deveria tê-lo proibido de levar o celular para casa de parto. Tenho uma foto, ainda na banheira, um segundo depois do João nascer, agradecendo os parabéns do Fulano de Tal, para quem Alexandre já havia mandado mensagem (quem é esse cara na minha vida, meu deus???))

Internação:

– Pretendo me internar na fase ativa, ou seja, com pelo menos 5 cm de dilatação e 3 contrações em 10 minutos. Na verdade, quero ficar em casa o máximo de tempo possível, desde que haja uma margem de segurança para a transferência para a Casa de Parto. Não quero ficar em salas pré-parto, nem tampouco parir no carro; (Fui para a Casa de Parto com 7 cm de dilatação. A transferência foi punk.)

– Tentarei me internar diretamente na Casa de Parto. Caso não haja vagas, pedirei a EO que tente as suítes de parto do Hospital. Neste caso, é ainda mais importante que vá com o TP bem adiantado. (Como já disse, fui para a Casa de Parto.)

– Desde o início do TP, vou caminhar, fazer exercícios, enfim, o que puder para contribuir para seu avanço; (Não fiz muitos exercícios em casa. Fiquei cansada e preguiçosa.)

– Quero a presença do Alexandre, da Doula e da EO, seja na Casa de Parto, seja na Maternidade; (Foi perfeito)

– Quero o menor número possível de pessoas no ambiente; (Ninguém me incomodou.)

– Quero ser chamada pelo meu nome, mesmo pelos profissionais que não conheço. Nada de mamãe ou de mãezinha. Alexandre vai me ajudar; (Foi perfeito. Todos me trataram como se me conhecem de longa data, mesmo a anestesista e o médico que me atendeu na emergência. Recebi um tratamento respeitoso e adulto, mesmo quando estava louca de dor ou semi-inconsciente, por causa da hemorragia.)

– Manterei meu hábito de depilação; (Foi o que fiz, mas não foi importante.)

– Levarei biquíni, caso tenha a chance e resolva entrar na banheira; (Nem lembrei do biquíni. Fiquei sem roupa.)

– Não quero que mantenham acesso a minha veia de rotina (nem soro puro, nem com ocitocina); (Só fiquei com ocitocina depois da anestesia.)

– Quero poder beber e comer. Levarei frutas, castanhas, chocolate, gatorade; Nada parou no meu estomago.( Só comi maracujá o dia todo, mesmo assim, vomitei. Só consegui jantar depois da anestesia.)

– Quero me movimentar buscando meu conforto;( Quis ficar quietinha, mas acho que, se tivesse ficado mais ativa, poderia ter contribuído para a evolução do TP.)

– Usarei o chuveiro e alternativas de alívio da dor (massagem, técnicas de respiração, música – tudo que possa tornar o ambiente acolhedor). Manterei a partir de agora arranjos de flores perfumadas em casa, para levá-los quando formos para a Maternidade; (Nem lembrei da música. Sorte que estava tocando o CD que ouvi durante a gestação, quando ia fazer escalda-pés, que me tranqüilizou e deixou o ambiente acolhedor. Nem me lembrei das flores. As técnicas de respiração e massagem ajudaram muito. Além do alívio, tive a grata surpresa da minha memória passar associar o cheiro do óleo de castanhas que usamos naquele dia ao nascimento do João.)

– Gostaria que o João fosse acompanhado pelo sonar: não quero ficar presa no cardiotoco para não limitar minhas posições, nem criar ansiedade desnecessária. O sonar deve ser usado onde eu estiver: mesmo no chuveiro, ou no jardim;( Nem conheço cardiotoco. Sei lá a cara que ele tem!)

– Não quero exame de toque com freqüência, pois me causará desconforto e ansiedade; Em 24 horas, fiz 5 toques: 3 em casa, 2 no Sofia. (Detestei todos, mas sei que só foram feitos em momentos importantes.)

– Antes de fazer uso de analgésicos, tentarei alternativas para a diminuição da dor.( Estava chovendo em BH há dias. Tanto a minha casa quanto a Casa de Parto têm aquecimento solar, ou seja, sem sol, sem aquecimento. Horas e horas debaixo do chuveiro acabaram com a água quente e ficar sem este instrumento  me prejudicou…)

– Se precisar de analgésicos ou calmantes, pedirei. Não me ofereçam. Pretendo conversar com a Doula e a EO para que ponderem comigo sobre a necessidade destes artifícios, já que o Alexandre já declarou que não se sentiria confortável fazendo-o. Ainda que decida por estas intervenções, gostaria que elas fossem usadas com parcimônia, para que eu não perca os movimentos das pernas ou a consciência do que está acontecendo e o poder de decisão; (Quando pedi a anestesia, não quis nem saber de ponderações. O analgésico não me impediu de andar, nem me deixou abobada. Pelo contrário: só depois comecei a caminhar e me exercitar.)

– Quero tentar posições ou movimentos antes de iniciar o uso de ocitocina -n seja qual for a indicação; (Quando me anestesiaram me colocaram imediatamente na ocitocina. Ninguém me consultou, agiram como se fosse um pacote: quer anestesia, ganha ocitocina.)

– Não quero ruptura artificial da bolsa, por mera rotina; (Minha bolsa rompeu num exame de toque.)

– As fotos devem respeitar minha privacidade, dando prioridade aos registros das expressões e emoções, evitando nudez e sangue. Quando o João já estiver conosco, quero muitos registros. (Arrependi-me de não ter tirado mais fotos. As que tenho são lindas, mas poucas.)

– Gostaria que minha decisão de rejeitar algum procedimento seja respeitada. Não quis manobras para retirada da placenta.( Acataram minha decisão, mas, em determinado momento, não dava para esperar mais. A EO tentou retirá-la com tração, mas o cordão rompeu. Fui andando para a Maternidade. Lá, me sedaram, descolaram a placenta manualmente (o médico enfiou a mão dentro do meu útero!!) e depois fizeram uma curetagem.)

Expulsivo:

 – Quero ter o João na posição que eu desejar;( João nasceu de cócoras sustentada, dentro da banheira. Algumas vezes fiquei em 4 apoios, ou agachada e apoiada na borda.)

– Não quero que fiquem tocando meu períneo no período expulsivo. Se houver laceração, paciência; (Quem tentou tocar foi reprimido a tapas.)

– Não quero que puxem o bebê, deixem que ele venha no tempo dele. Toquem-no o menos possível, ele deve apenas ser amparado.( Ele só foi amparado, mesmo que, na hora do expulsivo, eu implorasse que o tirassem de qualquer jeito.)

– Quero me concentrar no que está acontecendo e preciso de silêncio para fazê-lo, então, não quero palavras de incentivo, nem conversas. Por favor, não falem comigo durante as contrações;( As conversas tipo “-Calma, o João está chegando” ou “-Olha, é a cabecinha” me deixaram uma fera. Tudo me irritou, até as ervas que estavam na banheira. Num próximo parto, não quero ervas na banheira.)

– Não me mandem fazer força, inclusive, se eu estiver exagerando, lembrem-me de ter suavidade, para evitar a laceração; (Precisei de ajuda, pois não senti puxos nem as contrações.)

– Lembrem-me de tocar a cabeça do BB, quando ele estiver coroando;( Estava muito mal humorada, não quis e me arrependo.)

– Não quero episiotomia – a menos que o bebê esteja em risco e precise nascer logo; Como já disse, não tive episiotomia, nem qualquer laceração no períneo. Só uma pequena, nos lábios.

– Não quero manobras para a saída do bebê – a menos que seja estritamente necessário devido à sua saúde. Nesse caso, quero ser comunicada antes de aplicar a manobra e saber o porquê; (Nada foi necessário. #tksgod)

– Quero ter o meu bebê imediatamente em meu colo após o nascimento. O João me foi entregue imediatamente. (O cordão era curtinho, eu tremia muito, então, afundei meu bebê algumas vezes. Isso apressou minha vontade de cortar logo o cordão.)

– Se a sucção das vias respiratórias for necessária, prefiro que seja feita enquanto o bebê está comigo, com a perinha. (O João não saiu de perto de mim, e não me lembro de qualquer sucção.)

– Quero que o cordão seja cortado apenas quando parar de pulsar. Se o Alexandre estiver presente, deve ser consultado se quer fazê-lo. (Como o cordão era curtinho e eu estava tremendo, toda hora deixava o rosto do João entrar na água. Fiquei com dó e pedi que o cortassem logo. Alexandre cortou. Não sei se ele já tinha parado de pulsar.)

Após o parto:

 – Prefiro aguardar expulsão espontânea da placenta com auxílio da amamentação. Não quero massagem, tração ou infusão intravenosa de ocitocina. Caso a placenta não saia sozinha em uma hora, reavaliaremos a conduta;(A placenta não saiu sozinha, graças ao acretismo placentário. Reavaliamos e tive que me submeter à extração manual e à curetagem. Senti-me absolutamente respeitada, o tempo todo.)

– Quero o João comigo o tempo todo, mesmo para avaliação e exames. (Enquanto eu me submetia à curetagem, o João ficou com o pai. No meu próximo parto, vou pensar em ter duas doulas: uma para mim e uma para o bebê. Não queria que a Helena saísse de perto de mim, mas Alexandre se sentiu desamparado sozinho com o João.)

Cuidados com o bebê:

– Quero manter meu filho no colo o tempo que eu quiser após o nascimento; (Foi o que aconteceu e foi lindo.)

– Quero amamentar na primeira hora; (Já nasceu sabendo mamar e começou ainda na banheira.)

– Fiz os exames de Streptococo, Clamídia e Gonorréia e todos são negativos. Estas informações constam no meu cartão de gestante e eu levarei os exames impressos. Não quero que seja administrado nitrato de prata nos olhos do João; (Não recebeu colírio.)

– A vitamina K deve ser aplicada enquanto o bebê estiver mamando; (Nem chorou.)

– Não oferecer água glicosada, fórmulas ou bicos; (Só mamou no peito e ficou comigo o tempo todo, mesmo quando eu estava na Unidade de cuidados intensivos).

-Teremos alojamento conjunto o tempo todo. Caso seja necessária a separação o pai deverá acompanhá-lo o tempo inteiro. É o pai quem vai vesti-lo, pesá-lo e segurá-lo para eventuais exames; (O pai, a avó e a tia fizeram isso. No próximo bebê, acredito que Alexandre vai estar mais preparado.)

– Eu e Alexandre daremos o primeiro banho;( Eu estava muito fraca, mas assisti Alexandre dando o primeiro banho com a EO.)

– Quero que a avaliação pediátrica seja feita no quarto e na presença de um dos pais; (O pai, a avó e a tia fizeram isso.)

– Caso seja necessário algum procedimento de urgência me avisar dos detalhes e porque está sendo feito; (Nada foi necessário.)

Caso a cesárea seja necessária: Não se aplica (Uhhhuuu!!!)

– Caso a indicação seja anterior ao TP, quero ser acompanhada pelo Dr. Geraldo;

– Gostaria que fosse franqueada a presença de meu marido e da Doula.

– Anestesia peridural se possível, sem sedação.

– Não quero minhas mãos presas. Caso não seja possível quero que me soltem para que eu possa segurar meu bebê quando nascer;

– Quero ser consultada de desejo remover o campo para ver o neném nascer;

– Após o nascimento gostaria que colocassem o bebê sobre meu peito imediatamente, sem separação;

.- Gostaria de amamentar já na sala de cirurgia;

Observações:- Se eu não tiver condições de decidir sobre alguma intervenção meu marido está apto a decidir por nós. (Eu mesma decidi sobre o que era relevante, como, por exemplo, tomar transfusão de sangue.)

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Plano de Parto – Já fez o seu?

A primeira vez que ouvi falar em Plano de Parto estava na 22ª semana de gestação. Não sabia que isso ia mudar a história do nascimento do João.

Plano de Parto é uma carta de intenções, na qual a gestante declara qual é o atendimento que espera para si e para o seu bebê, durante o processo de nascimento. Ele fala quais os procedimentos médicos ela aceita se submeter, quais são suas expectativas, como quer ser tratada e patati-patatá. Tem gente mais meticulosa (quem-tem-mania-de-controle-põe-a-mão-aqui) que escreve até que música quer ouvir, o que vai vestir, ou o que quer comer.

A pergunta que mais ouço, quando pergunto para alguém se já fez o Plano de Parto (depois do óbvio “o que é isso???”) é: mas você não confia no seu médico?

 – Confio, queridas. Confio muito, mas não delego.

 Para mim, deixar o médico – ou a enfermeira, a parteira, quem quer que vá te assistir – decidir sozinho sobre o parto seria como pedir ao marido para fazer a sua mala para a viagem importante, que vai marcar sua vida, como a de lua de mel: ele pode se dedicar, fazer com o maior carinho, mas as escolhas dele não seriam as suas. E eu, minha amiga, não quero usar meia-calça no deserto.

Hoje em dia, lidamos com o parto como se ele fosse um ato técnico, do qual se precisa de diploma de medicina e três pós-graduações para entender. É muito comum ouvir: “quero muito parto normal, maaaaaas, meu médico vai decidir o que é melhor para nós”. O engraçado é que até quem está com câncer escolhe qual tratamento prefere e as grávidas, mesmo que absolutamente saudáveis, transferem para outra pessoa duas das decisões mais importantes de sua vida: como o seu corpo vai ser manipulado e como seu filho vai chegar e ser recebido no mundo.

Eu demorei metade da minha gestação para entender, amigas, mas, na maioria absoluta dos casos, nós temos opção. Podemos escolher. Você aceita ser cortada na vagina? Ter seus pelos pubianos raspados? Quer ficar deitada, ou prefere ter liberdade de movimento? Quer ouvir música ou prefere silêncio? Quer anestesia ou vai tentar outros métodos de alívio da dor? Aceita que sua bolsa seja rompida? Em que casos? Quer seu marido lá ou prefere que vá fumar um charuto??

Na minha opinião, o mais importante do Plano de Parto é que ele retrata um novo momento na obstetrícia, no qual as mulheres estão, novamente, se transformando em protagonistas. Nossas mães entravam no hospital e abandonavam-se aos médicos, que só tinham que entregar, na alta, mãe e bebê para o pai. Não importa se eles tinham sido cortados, costurados, esfregados. Agora não. Somos sabidas e estudiosas, ninguém é melhor que nós para decidir sobre a nossa vida e a dos nossos filhos. Os profissionais nos dão apoio e informação, mas a decisão é nossa. Que lindo. Como o mundo está melhor.

Amanhã posto o meu Plano de Parto, para, quem sabe, servir de modelo…

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Gotinhas de iogurte – como refrescar os bebês neste calor senegalês

O mundo pode não ter acabado, mas, pelo jeito, em 2013 a Terra está mais próxima do Sol. Não sei na casa de vocês, mas aqui em BH parece que estamos em uma estufa.

Sinto pena só de pensar em vestir o João e ele tem ficado em casa de fraldinha. Banho de mangueira foi o must have do feriado e nem quero ver a conta d’água. Estou optando por comidas leves e frutas cítricas, que dão a sensação de frescor.

Ele não toma sorvete, que é a porcaria das porcarias, pura gordura hidrogenada e açúcar. Entretanto, há alternativas bacanas, que nada perdem em sabor e diversão e muito ganham em saúde.

Como até poucos dias atrás o único laticínio que o Pequeno consumia era o leite da mamãe, estamos pegando leve. Ele experimentou iogurte natural e queijos leves. Esta semana ele provou um frozen yogurt e amou.

Dando uma voltinha na internet, achei uma ideia para lá de boa para refrescar os pequenos de forma lúdica e saudável. Moleza, moleza, moleza: basta colocar o frozen, ou uma misturinha de iogurte com geleia,  no saco de confeiteiro e fazer pequenas gotinhas em um tabuleiro. Leve ao freezer e… voilá!

Gostosura fresquinha e saudável!!!Gotinhas de iogurte

Via

Ps: eu forro o tabuleiro, para facilitar a vida! Frescura para a mamãe também, né!

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Recomendações da ANS para o parto – e orgulho, orgulho, orgulho

Pesquisando para uma ação que vou ajuizar, acabei trombando com o site da Agência Nacional de Saúde e com suas recomendações para o parto. Fiquei muito bem impressionada com as posições adotadas e com o empenho do Órgão em reverter o quadro de excesso de cesáreas no Brasil que é, no mínimo, preocupante. Resolvi reproduzir o texto aqui, até porque ele combate uma série de mitos muito comuns, nos quais já caíram amigas queridas.

Gostaria muito que as mulheres pudessem escolher a via de nascimento dos seus filhos com base em informações reais, sólidas, apoiadas em evidências científicas, mas não é o que vejo no meu dia-a-dia. Quanto mais estudo o tema – o que já fiz por interesse pessoal, quando estava grávida, e agora faço também por dever profissional – , mais assustada fico com os abusos que encontro por aí.

Tenho orgulho quando o poder público – que tem seu sistema de saúde tão pichado – adota medidas de vanguarda no atendimento ao parto. João nasceu pelo SUS, pois não encontrei, na minha cidade, nenhuma maternidade particular que me permitisse escolher o melhor para mim e para o meu filho.

Este, com certeza, será assunto para muitos posts. Por enquanto, fiquem com a cola que tirei do site da ANS!

Parto Normal está no meu plano 002

 

Qual o índice de cesarianas registrado no Brasil? E no mundo? Que índice é considerado ideal?

No Brasil, cerca de 40% dos partos realizados pelo sistema público e pelo sistema suplementar são cesarianas. Considerando apenas os planos de saúde a taxa de cesariana chega a 84%. No mundo, esse percentual varia de acordo com a realidade de cada país. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ideal é que apenas 15% dos partos sejam cesáreas, pois é neste percentual que se verificam indicações reais para sua realização.

 

De acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde, as cirurgias deveriam corresponder a, no máximo, 15% dos partos. Por que o percentual de cesarianas é alto no Brasil?

Por questões culturais e do modelo de organização da atenção ao parto no Brasil, tais como: pagamento por procedimento, conveniência de programar a data e hora do parto, valorização excessiva do uso de tecnologias, ausência de equipes estruturadas nas maternidades para atenção ao parto; ambiência das maternidades desfavorável, falta de incentivo aos médicos para realizarem parto normal, entre outros fatores.

 

O que a ANS pode fazer para reduzir as cesarianas desnecessárias no Brasil? Porque está preocupada com isso?

A ANS tem atuado em diversas frentes para induzir a reversão da atual proporção de cesarianas no setor suplementar. É fundamental envolver toda a sociedade nesta discussão. Neste sentido, a ANS tem investido em informação para população, trabalhado em um projeto de intervenção com o CFM, participado de vários eventos divulgando informações para os profissionais de saúde e investindo em pesquisa para compreender melhor os determinantes deste fenômeno e formas alternativas de organização do modelo de atenção ao parto e nascimento com vistas ao aumento da proporção de partos normais. Em um dos estudos financiados pela ANS, no Rio de Janeiro, em hospitais privados, constatou-se que, embora cerca de 70% das mulheres não manifestem preferência inicial por parto cesáreo, 90% dessas gestações terminam em cesáreas.

Esse percentual sinaliza que outros fatores que não a indicação médica em função do melhor para a mãe e o bebê podem estar influenciando essa decisão e acarretando custos e riscos desnecessários.

 

Como estão integradas as ações do Ministério da Saúde e da ANS no que diz respeito à redução das cesarianas desnecessárias?

A redução de cesarianas desnecessárias no Brasil é uma preocupação tanto do Ministério da Saúde, quanto da ANS. Um exemplo da integração entre as ações de ambos em direção à redução das cesarianas desnecessárias foi a campanha publicitária lançada em 2008, em parceria entre ANS e MS.


» Bebê e mamãe

Se a bacia da mulher for estreita, como o parto normal pode ser viabilizado?

É possível que um bebê seja grande demais para a bacia da mãe, ou então que ele esteja numa posição que não permita seu encaixe, porém somente cerca de 5% dos partos estariam sujeitos a essas condições. Na verdade, é impossível assegurar se o bebê vai ou não ter espaço para passar enquanto o trabalho de parto não acontecer, a dilatação chegar ao máximo e o bebê não se encaixar.

 

E se o bebê “passar da hora”, o que fazer?

Os bebês costumam nascer com idade gestacional entre 37 e 42 semanas. Deste modo, até 42 semanas, se o pré-natal for adequado e todos os exames comprovarem o bem estar fetal, não há motivos para preocupação. Por outro lado, caso os exames apontem para uma diminuição da vitalidade, a indução do parto pode ser uma ótima alternativa.

 

Se o bebê se enrolar no cordão umbilical, ele se enforca?

O cordão umbilical é preenchido por uma gelatina elástica, que dá a ele a capacidade de se adaptar a diferentes formas. O oxigênio vem para o bebê através do cordão direto para a corrente sanguínea. Assim, o bebê não pode sufocar.


» Mitos

É verdade que a falta de dilatação com frequência inviabiliza o parto normal?

Não. Tecnicamente não existe falta de dilatação em mulheres em trabalho de parto. Quando a mulher entra em trabalho de parto a dilatação irá acontecer. Contudo em muitos casos, a mulher apresenta contrações fracas que caracterizam o chamado “falso trabalho de parto” ou pródromos. Nesta fase ainda não há progressão da dilatação, com isso muitas mulheres acreditam que não tiveram dilatação, mas na verdade é preciso esperar o tempo certo para a mulher entrar efetivamente em trabalho de parto. A dilatação do colo do útero é um processo passivo que só acontece com as contrações uterinas.

 

Depois que a bolsa rompe, é verdade que o líquido seca e fica mais difícil para o bebê passar? Nesse caso, o parto normal não seria excessivamente doloroso?

Na verdade, depois que a bolsa rompe, o líquido amniótico continua a ser produzido e a cabeça do bebê faz um efeito de “fechar” a saída, de modo que o líquido continua se acumulando no útero. Além disso, o colo do útero produz muco continuamente. Esse muco serve como um lubrificante natural para o parto.

 

Como o parto normal pode ser indicado se ele é acompanhado de tantas dores, enquanto no parto cesáreo não há dor?

É verdade que o parto normal envolve dor. As primeiras contrações lembram cólicas menstruais e, à medida que o trabalho de parto evolui, elas se tornam mais intensas. Quando o colo do útero atinge 4 ou 5 cm de dilatação, mais ou menos na metade do parto, os médicos podem lançar mão da analgesia peridural. Esse recurso elimina totalmente a sensibilidade à dor mas preserva os movimentos da gestante para o parto. A intensidade da dor pode variar de mulher para mulher, como mencionado acima. As mais bem preparadas e que podem desfrutar de um ambiente acolhedor costumam passar de forma mais tranquila pela experiência. Porém, é um mito que cesariana poupa a mulher totalmente de dor. Afinal, trata-se de uma cirurgia e sua recuperação é muito mais lenta e, em alguns casos, dolorosa a ponto de exigir o uso de analgésicos para aliviar o desconforto do pós-operatório .

 

É verdade que o bebê “sofre” durante o parto?

Não. Na realidade, os mecanismos naturais do parto normal preparam o bebê para nascer bem. As contrações, por exemplo, funcionam como uma “massagem”, favorecendo a expulsão dos líquidos pulmonares do bebê e tornando-o mais bem adaptado para respirar. Já a criança “tirada” do útero, em dia e hora marcados, não tem a chance de passar por esses processos naturais. O chamado “sofrimento fetal” não tem relação com os esforços do bebê para nascer: ele acontece quando o fornecimento de oxigênio para o bebê fica prejudicado, por problemas como descolamento prévio da placenta ou sequelas de diabetes ou hipertensão maternas.


» Métodos e técnicas

Os planos de saúde cobrem parto domiciliar?

A Lei 9656/98, que estabelece as bases para as coberturas obrigatórias pelos planos de saúde ou rol de procedimentos, não define assistência domiciliar como obrigatória. Entrento, a operadora de planos de saúde pode oferecer, no contrato do plano, a assistência domiciliar (inclusive para parto) como um serviço adicional, por uma decisão da operadora.


A quem compete decidir que método de parto usar?

Em relação ao tipo de parto, será uma decisão compartilhada entre médico e mulher/família. O profissional deve fornecer informações sobre a situação clínica da mulher e riscos e benefícios envolvidos com cada escolha, ajudando na tomada de decisão. O profissional não deve se isentar de sua responsabilidade nesta decisão, colocando toda o peso da decisão sobre a mulher. Tão pouco deve manipulá-la, para que decida de acordo com sua conveniência. Deve, sim, esclarecer a mulher, de forma isenta, e compartilhar a responsabilidade pela tomada de decisão.

 

Mulheres submetidas a cirurgias de ovários, como a remoção de um dos ovários, por exemplo, sofrem corte abdominal similar ao de uma cesariana. Nesses casos, um parto futuro pode ser normal ou deve ser cesárea? , há restrições para a realização de um parto normal?

Muito embora não haja uma contra-indicação absoluta para realização de parto vaginal no caso de ter sido realizada uma cirurgia de ovários anteriormente, essa decisão depende de uma avaliação médica do caso específico. O intervalo de tempo decorrido entre a primeira cirurgia e o parto e a exitência ou não de complicações no pós-operatório da primeira cirurgia, entre outros fatores, devem ser considerados. Não é possível estabelecer um posicionamento claro sem estudar cuidadosamente a história clínica como um todo. Nesse caso, a melhor indicação é uma consulta médica detalhada e criteriosa a um – ou mais de um – médico, quando todas as dúvidas devem ser esclarecidas.

 

No final da gravidez, a placenta velha pode colocar em risco a saúde do bebê?

O exame de ultrassom não avalia exatamente a qualidade da placenta. Adicionalmente, uma qualidade prejudicada da placenta só sinaliza a indicação para parto cesáreo se considerada em conjunto com outros diagnósticos, como a ausência de crescimento do bebê, por exemplo. A maioria das mulheres tem um “envelhecimento” normal e saudável de sua placenta no final da gravidez.


» Planos de saúde

O plano de saúde deve cobrir acompanhante no hospital para a gestante?

A Resolução Normativa – RN nº 167, de 9/01/2008, que constitui a referência básica para cobertura assistencial nos planos privados de assistência à saúde regulamentados pela Lei 9656/98, garante, em seu Art. 16, inciso I, aos beneficiários de planos hospitalares com obstetrícia, a cobertura de um acompanhante indicado pela mulher durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Alguns serviços cobram uma taxa para a presença do acompanhante na sala de parto, destinada a cobrir os gastos com a limpeza e higienização das roupas cirúrgicas e o uso de máscaras e toucas descartáveis utilizadas pelo acompanhante da gestante. A existência e o valor dessa taxa devem ser negociados entre a operadora de plano de saúde e o prestador (hospital ou clínica), por meio da contratualização. De qualquer modo, essa cobrança não pode ser repassada à beneficiária, sob pena de descumprimento da lei. Em caso de dúvida, a beneficiária pode consultar a ANS . É importante observar que a presença do acompanhante no momento do parto depende das condições clínicas da parturiente e, por consequência, da concordância do médico assistente e/ou da equipe do hospital.

O que a beneficiária de plano de saúde com assistência obstétrica pode exigir de seu plano de saúde? E do hospital?

Desde que tenha cumprido a carência de 300 dias e que seu plano tenha cobertura obstétrica, a beneficiária pode exigir a cobertura do parto, a inscrição do filho no mesmo plano sem carência em até 30 dias após o parto, cobertura de acompanhante da escolha dela durante o trabalho de parto, além de parto e pós-parto sem a cobrança de taxas.

 

Ao engravidar, a mulher pode trocar de plano de saúde?

Sim, porém não terá cobertura obstétrica, a não ser que se trate de portabilidade ou de compra de carência.

 

Caso não tenha seus direitos ou os de seu filho respeitados pelo hospital ou pelo plano de saúde, o que a mãe pode fazer?

A mãe deve encaminhar denúncia à ANS, pelo DISQUE ANS: 0800 701 9656 ou pelo Fale Conosco do site da ANS (www.ans.gov.br)

 

O que a operadora de plano de saúde e o hospital podem exigir da mãe e do bebê para garantir o atendimento?

As mesmas exigências que valem para cobertura de qualquer procedimento em plano de saúde. No caso específico do parto, vale o cumprimento dos 300 dias de carência em plano regulamentado.

 

O bebê tem direito à cobertura pelo plano, ou somente a mãe?

No caso de plano regulamentado, com cobetura obstétrica, está assegurada a inscrição do filho, até 30 dias após o parto, sem a necessaidade do cumprimento do período de carência, mesmo que o bebê não tenha nascido com médico ou enfermeira obstétrica credenciados pelo plano, desde que a mãe ou o pai já tenha cumprido os 300 dias de carência para parto. Se o plano não tiver cobertura obstétrica – isto é, se for um plano ambulatorial ou hospitalar sem obstetrícia – a criança poderá ser incluída no plano, porém terá de cumprir as carências normalmente.

Parto Normal está no meu plano

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Presente mais legal para um bebê – e para a mãe do bebê

Entre os presentes que João ganhou de aniversário, tenho os meus preferidos: o quadrinho liiindo, que Karen fez com as próprias mãos e o livro Isto é Nova York, de Miroslav Sasek, presente da amiguinha Maria Carol.

Isto é Nova York

Trata-se de uma espécie de primeiro guia de viagens, lindamente ilustrado, escrito em linguagem simples, interessante e levemente irônico (“amendoins – e quase tudo mais – você pode comprar numa máquina” ou “tudo nos Estados Unidos chega embrulhado de maneira magnífica, até mesmo os jogadores de futebol.” Ah!). Faz um resumo lindo do que é Nova York, fazendo um recorte que é a cara das crianças.

Isto é Nova York 001

O livro foi publicado, no Brasil, pela Cosacnaif, e faz parte de uma coleção que tem também Isto é Paris e Isto é Roma. Há também Isto é Londres, publicado pela editora portuguesa Civilização. Sasek também escreveu e ilustrou Isto é Veneza, Edimburgo, Israel, São Francisco, Hong Kong, Grécia, Bretanha, Irlanda, Austrália, Cabo Kennedy, Washington D.C. ou Munique, mas não há versão em português.

Editores, o que estão esperando???

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